Linha 4 - Amarela
Um grande
desafio para 2006
A incerteza sobre o futuro do Metrô e dos direitos e conquistas dos
metroviários foi acentuada durante o seminário desta segunda-feira,
12/12, que aconteceu no Sindicato dos Engenheiros, com o intuito de
aprofundar o debate e melhor compreender as intenções do governo do
estado de conceder a Linha 4 – Amarela para a iniciativa privada.
Esta atividade
contou com a presença dos palestrantes Prof. João Machado, do advogado
Dr. Paulo Cunha e do secretário de Transportes Metropolitanos,
Jurandir Fernandes. A participação de aproximadamente cem pessoas,
entre elas metroviários, trabalhadores da Sabesp, representantes da
sociedade civil organizada; parlamentares, como Nivaldo Santana (PCdoB),
Zico Prado e Simão Pedro (PT); e dos presidentes dos Sindicatos dos
Metroviários, dos Engenheiros, da Fenametro, e da AEAMESP,
respectivamente, Flávio Godoi, Murilo Celso de Campos Pinheiro, Wagner
Fajardo e Manoel da Silva Ferreira Filho, tornou a ocasião ainda mais
propícia para travarmos o debate a respeito da implantação da primeira
Parceria Público Privada (PPP) no estado e suas conseqüências para os
trabalhadores e toda a sociedade.
Direto ao assunto
O secretário
criticou a lentidão com que se deu a extensão da malha metroviária
durante seus 31 anos de existência – cerca de 1,7 km ao ano, e expôs a
falta de capacidade de investimento do estado para consolidar esta
ampliação. Com isso, começou suas investidas para tentar justificar a
implantação do capitalismo sem risco, por meio da entrega do nosso
metrô ao setor privado.
Quanto ao fato de
o estado investir a maior parte dos recursos na obra, Jurandir repetiu
a lógica do presidente do Metrô, deixando claro que se a porcentagem
de investimento fosse menor o negócio não atrairia aos investidores. O
mesmo se aplica à questão das áreas desapropriadas ao redor das obras
e que no futuro servirão de fonte de renda somente ao capital privado,
ao contrário do que acontece hoje.
Jurandir também
tratou como evidente a questão das garantias de lucro, mesmo que as
bilheterias não alcancem a meta estabelecida em contrato, seguindo a
mesma linha de raciocínio que visa à atratividade aos investidores.
Trabalhadores
Não houve
justificativa convincente para as colocações, nem tão pouco para os
questionamentos sobre a manutenção de direitos e conquistas da
categoria. O secretário citou que a minuta do contrato de concessão
determina a isonomia de conquistas, como os adicionais de
periculosidade, risco de vida, plano de saúde e outros. No entanto,
não assegurou que o tratamento dado aos trabalhadores será o mesmo que
o existente hoje. “Não dá pra garantir que o concessionário vai
assinar embaixo do acordo coletivo”. Com isso fica claro que os
trabalhadores estão ameaçados. E não só os da Linha 4. Com a nova
correlação de forças e alteração na relação capital x trabalho, os
metroviários da ativa estarão sujeitos à aplicação de novas e absurdas
regras, assim como passou a acontecer a partir da inauguração da Linha
5, com a escala de trabalho, supressão do adicional de periculosidade
e desvio de funções, por exemplo.
Experiência mal
sucedida
O Sindicato dos
Metroviários defende a ampliação da malha metroviária em São Paulo,
com a consciência de que esta é uma das medidas essenciais para
melhorar a qualidade de vida dos paulistanos, com mais acessibilidade,
geração de empregos e dinamização da economia.
Porém, não
defendemos tais meios para ter mais metrô. Num país que tem um dos
piores índices de distribuição de renda e paga um dos mais baixos
salários per capta no mundo, a retirada de direitos e conquistas e o
achatamento salarial gerará a queda da qualidade da prestação de
serviços e, com isso, o metrô deixa de cumprir o excelente papel pelo
qual é reconhecido. Contudo, o Sindicato não admitirá que o futuro do
metrô de São Paulo seja o mesmo que o do Metrô do Rio de Janeiro e de
Buenos Aires, onde os salários foram reduzidos, direitos e conquistas
retirados e, conseqüentemente, a qualidade do serviço caiu
drasticamente, além de a tarifa, do Rio, ter se tornado a mais alta de
todo o país. São Paulo já é o vice-colocado neste ranking e não
permitiremos o salto para a primeira colocação. Combater a concessão
da linha 4 – Amarela é um de nossos maiores desafios para 2006 e, com
unidade e determinação, certamente seremos vitoriosos.
Fotos: Maurício
Morais