Contra a
privatização da Linha 4 - Amarela
No
último dia 19/10, a direção do Metrô e o governo do estado realizaram
uma audiência pública para dar início ao processo de privatização da
Linha 4 – Amarela. Dezenas de empresários do Brasil e exterior
dividiram o auditório do Instituto de Engenharia com os metroviários,
que representaram o Sindicato e a Fenametro, para se contrapor a esta
iniciativa.
Antes de começar a
audiência a categoria metroviária marcou sua presença distribuindo um
informativo, onde foram expostos nossos argumentos contra o processo
iniciado pelo Metrô e governo estadual. Já as faixas com palavras de
ordem foram estendidas nas laterais do auditório logo no início da
audiência.
A reação da
maioria dos pretensos concessionários e dos organizadores da audiência
foi de indiferença, o que deixou claro o quanto estão despreocupados
com os trabalhadores. Mas os metroviários deram o seu recado, e
deixaram claro que irão resistir a este desmonte.
Representando a
Fenametro e seu presidente, Wagner Fajardo, que estava em Brasília, em
outra audiência pública também sobre a privatização de metrôs de
outros estados, o vice-presidente da entidade, Edgard Coelho Vaz, do
Rio de Janeiro, relatou o quanto foi mal sucedida a experiência de
privatização do Metrô carioca, que se tornou o mais caro do país,
deixando claro que o acordo firmado entre governo estadual e
concessionária não foi cumprido por ambos, o que resultou em um imenso
prejuízo para a população e trabalhadores.
Neste ponto,
Edgard lembrou que na última audiência pública ocorrida no Rio de
Janeiro, houve consenso entre governo, concessionários, metroviários e
população de que todos perderam com a privatização, mas só a sociedade
está pagando a conta.
Ao fazer o uso da
palavra, o vice-presidente do Sindicato, Paulo Pasin, que substituiu o
presidente Flávio Godoi, afastado por motivos de saúde, firmou a
reprovação da categoria com relação à privatização da Linha 4, e
enfatizou o caráter burocrático daquela audiência pública, que não
garantiu a participação da sociedade usuária. As dúvidas só puderam
ser encaminhas à mesa por escrito, dificultando a livre manifestação
dos presentes, que tiveram respostas inconclusas, muitas vezes
limitadas ao “sim”, “não” ou “a resposta está no edital”.
Lembrou ainda a
todos os empresários que se o Metrô representa um negócio tão atrativo
e seu serviço tem a qualidade que supera até o do Corpo de Bombeiros e
os Correios, é porque existe um quadro de profissionais altamente
qualificado e responsável por tudo isso, que conquistou garantias e
direitos que lhes permitem tranqüilidade para se dedicarem ao que
fazem, e por isto não abrirão mão do que lhes é de direito – muito
menos para facilitar a lucratividade de empresas privadas.
Os metroviários
não permitirão que este seja o futuro do melhor e mais importante
sistema de transporte de São Paulo. As medidas legais para tanto já
estão sendo tomadas, e terão seu efeito ampliado com a mobilização da
sociedade e dos metroviários.
Veja na página 3
porque a concessão da Linha 4 será prejudicial para todos e participe
desta campanha pela garantia do Metrô público, estatal, de qualidade,
com tarifas sociais e, como conseqüência, da manutenção dos direitos
dos trabalhadores e cidadãos.
Foto: Metroviários protestam
contra a concessão da Linha 4 - Amarela na audiência pública no
Instituto de Engenharia. (Foto: Arquivo do Sindicato)