Inovações tecnológicas ameaçam
postos de trabalho
O
Sindicato dos Metroviários participou intensamente da XI Semana de
Tecnologia Metro-ferroviária, promovida pela Associação dos
Engenheiros e Arquitetos do Metrô de São Paulo (AEAMESP), entre os
dias 23 e 26 de setembro.
Ali foi possível
observar que os metroviários têm produzido muitas inovações
tecnológicas, como demonstraram os 26 trabalhos, entre os 36 inscritos
e apresentados. Um deles foi o intitulado “Manutenção da Via
Permanente (Imagens)”, dos Técnicos de Manutenção Carlos Frederico e
José Soares da Silva, que também é Secretário de Estudos Sócio
Econômicos e de Tecnologia do Sindicato, ambos da VPN.
No entanto,
precisamos nos atentar aos riscos que a crescente presença da
tecnologia no sistema metroviário representa aos trabalhadores e,
conseqüentemente, à forma como o mesmo vem sendo gerido. Durante os
debates técnicos, três fatores pontuais nos chamaram muito a atenção,
conforme segue:
1) Frente à
necessidade de desenvolvimento da cidade de São Paulo, a malha
metroviária cresceu em ritmo lento, comprometendo a economia do estado
e do país. Para a terceira maior cidade do mundo, a promessa de
inaugurar 12,8km de metrô após doze anos de administração, é uma
demonstração de desgoverno e sequer recupera o tempo perdido. O custo
social promovido pela existência da atual malha metroviária, estimado
em 3 milhões de reais por ano, seria muito maior caso os governos se
preocupassem com a diminuição da poluição, a redução dos
congestionamentos, acidentes no trânsito em menor número e menos
violentos, ao invés de aplicarem a política neoliberal aqui no estado.
2) A implantação
do METROPASS ou BILHETE ÚNICO é praticamente irreversível, devido às
novas tecnologias de cartões inteligentes, aos assaltos nas
bilheterias, à evasão de receita através dos bilhetes fraudados e à
venda ilegal dos bilhetes por camelôs. Por isso, as discussões na
Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo serão retomadas e o
Sindicato está exigindo audiências públicas para impedir que a
implantação desta tecnologia seja utilizada na redução de postos de
trabalho. Essa situação deixa clara a necessidade de estarmos
mobilizados e organizados junto aos parlamentares, sindicatos,
partidos políticos e demais entidades para impedir que trabalhadores
sejam prejudicados com o desemprego ou com a precarização do trabalho.
3) Os trens com
automação integral já estão em operação em vários países, como por
exemplo, França, Cingapura, Espanha, Japão e outros, e no metrô de São
Paulo já podemos observar vários entusiastas desta idéia. A
justificativa deles para defendê-la é que com a tecnologia de
automação integral, os trens ficam mais rápidos, gastam menos energia
e circulam com intervalos de tempo menores. Porém, estes entusiastas
não falam da redução do quadro de funcionários, que é o maior atrativo
para utilização destas novas metodologias, bem como não levam em conta
a realidade cultural do nosso povo, a complexidade do nosso sistema
metroviário, seu carregamento, estrangulamento e, principalmente, o
papel social do emprego num país com grandes distorções sociais.
O desenvolvimento
tecnológico não deve ser instrumento de degeneração social e, por
isso, precisamos nos organizar para garantirmos nossos direitos.
Foto:
Mesa de abertura da XI Semana de
Tecnologia Metroviária
Foto cedida
pela AEAMESP