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Nº 479 - 07/10/2005

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Inovações tecnológicas  ameaçam postos de trabalho

O Sindicato dos Metroviários participou intensamente da XI Semana de Tecnologia Metro-ferroviária, promovida pela Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Metrô de São Paulo (AEAMESP), entre os dias 23 e 26 de setembro.

Ali foi possível observar que os metroviários têm produzido muitas inovações tecnológicas, como demonstraram os 26 trabalhos, entre os 36 inscritos e apresentados. Um deles foi o intitulado “Manutenção da Via Permanente (Imagens)”, dos Técnicos de Manutenção Carlos Frederico e José Soares da Silva, que também é Secretário de Estudos Sócio Econômicos e de Tecnologia do Sindicato, ambos da VPN.

No entanto, precisamos nos atentar aos riscos que a crescente presença da tecnologia no sistema metroviário representa aos trabalhadores e, conseqüentemente, à forma como o mesmo vem sendo gerido. Durante os debates técnicos, três fatores pontuais nos chamaram muito a atenção, conforme segue:

1) Frente à necessidade de desenvolvimento da cidade de São Paulo, a malha metroviária cresceu em ritmo lento, comprometendo a economia do estado e do país. Para a terceira maior cidade do mundo, a promessa de inaugurar 12,8km de metrô após doze anos de administração, é uma demonstração de desgoverno e sequer recupera o tempo perdido. O custo social promovido pela existência da atual malha metroviária, estimado em 3 milhões de reais por ano, seria muito maior caso os governos se preocupassem com a diminuição da poluição, a redução dos congestionamentos, acidentes no trânsito em menor número e menos violentos, ao invés de aplicarem a política neoliberal aqui no estado.

2) A implantação do METROPASS ou BILHETE ÚNICO é praticamente irreversível, devido às novas tecnologias de cartões inteligentes, aos assaltos nas bilheterias, à evasão de receita através dos bilhetes fraudados e à venda ilegal dos bilhetes por camelôs. Por isso, as discussões na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo serão retomadas e o Sindicato está exigindo audiências públicas para impedir que a implantação desta tecnologia seja utilizada na redução de postos de trabalho. Essa situação deixa clara a necessidade de estarmos mobilizados e organizados junto aos parlamentares, sindicatos, partidos políticos e demais entidades para impedir que trabalhadores sejam prejudicados com o desemprego ou com a precarização do trabalho.

3) Os trens com automação integral já estão em operação em vários países, como por exemplo, França, Cingapura, Espanha, Japão e outros, e no metrô de São Paulo já podemos observar vários entusiastas desta idéia. A justificativa deles para defendê-la é que com a tecnologia de automação integral, os trens ficam mais rápidos, gastam menos energia e circulam com intervalos de tempo menores. Porém, estes entusiastas não falam da redução do quadro de funcionários, que é o maior atrativo para utilização destas novas metodologias, bem como não levam em conta a realidade cultural do nosso povo, a complexidade do nosso sistema metroviário, seu carregamento, estrangulamento e, principalmente, o papel social do emprego num país com grandes distorções sociais.

O desenvolvimento tecnológico não deve ser instrumento de degeneração social e, por isso, precisamos nos organizar para garantirmos nossos direitos.

 

Foto: Mesa de abertura da XI Semana de Tecnologia Metroviária

Foto cedida pela AEAMESP

 

 
 
 
 
 
 

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