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Nº 479 - 07/10/2005

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Pelo direito e respeito à vida!
Vote SIM! Vote 2!

No próximo dia 23 de outubro, todos os cidadãos deverão comparecer às urnas para votar sim ou não, respondendo a seguinte pergunta:

"O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?"

 

A realização deste referendo foi deliberada com a aprovação da lei 10.826, de 2003, que dispõe sobre o Estatuto do Desarmamento. O artigo 35 desta lei é o que determina a ocorrência desta votação, já que condiciona a vigência de seu artigo 6º (que disciplina o rol de agentes públicos e privados que podem portar arma de fogo) à aprovação mediante referendo popular.

E o que se espera, e já revela o resultado de pesquisa publicado na capa do jornal O Estado de S. Paulo, de 3/10, é que uma expressiva votação no “sim” irá legitimar a proibição da venda de armas de fogo e munições em todo o Brasil, já que 76% dos entrevistados se disseram favoráveis ao desarmamento.

Vida real

O Brasil é o segundo colocado no ranking da Unesco sobre mortes causadas por armas de fogo . Aqui, ocorrem 40 mil por ano, em média, sendo que o total de cada ano e meio equivale à soma de mortes ocorridas durante os 13 anos de guerra no Vietnã. Em compensação, no Japão e Inglaterra, onde o comércio de armas e munição é proibido, a quantidade de homicídios anuais é de 30 e 68, respectivamente – quantias estas correspondentes às ocorrências de um final de semana em São Paulo e uma semana no Rio de Janeiro.

É inquestionável que a presença de uma arma de fogo pode transformar qualquer “cidadão de bem” em um criminoso. “Se a idéia é usar arma para defesa, ela precisa estar com munição e sempre ao alcance, o que é um risco para a família”, é o que argumenta o sociólogo Antônio Rangel, da ONG Viva Rio, e reforça a constatação do cientista político e pesquisador das Nações Unidas, Guaracy Mingardi, de que a maioria dos homicídios (63%) é resultado de conflitos pessoais, entre “cidadãos de bem” que portam armas, como brigas de marido e mulher, confusão entre vizinhos e no trânsito. Nestes casos, a tendência é o encorajamento, o imediatismo e espontaneidade.

Há também os casos de crianças que encontram armas dos pais, resolvem brincar e, ou se ferem, ou se matam, ou causam um destes males em pessoas que estão ao seu redor.

Não podemos deixar de citar que o então mercado legal de armas é o que mantêm o comércio ilegal e, conseqüentemente, o crescente índice de roubos, seqüestros e homicídios. No estado de São Paulo, segundo a Polícia Civil, das 77 mil armas apreendidas em 1998, 71.400 foram roubadas de seus donos originais e 5.500 extraviadas por eles. A estatística apontada por especialistas é de que existam cerca de 17,5 milhões de armas em circulação no Brasil, sendo que apenas 10% deste total pertence às forças armadas e polícias.

Pra que facilitar?

Pra que arriscar, e amanhã ou depois ver seu filho comprando uma arma e, em um lapso de nervosismo, tirar a sua própria vida? Ou saber que ao tentar se defender em um assalto foi ferido, ou morto, e ainda teve sua arma roubada? Pra que facilitar o envolvimento de “cidadãos de bem” em situações como estas?

Façamos a nossa parte para contribuir com a redução do índice de violência em nosso país.

No dia 23 de outubro, vote SIM, em defesa do direito à vida! vote 2!

 

Quem vota SIM:

Fernanda Montenegro, Ferreira Gular, Marieta Severo, Chico Buarque, Marcos Palmeira, Gilberto Gil, Lenine, Emerson Fittipaldi, José Mayer, Maira Paula, Jair Rodrigues, Felipe Dylon, Ângela Vieira, Lulu Santos, Zezé Motta, Paulo Betti e tantos outros.

Fonte: Revista Época

 

Foto: CUT/SP

 
 
 
 
 
 

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