Pelo direito e respeito à vida!
Vote SIM!
Vote 2!
No
próximo dia 23 de outubro, todos os cidadãos deverão comparecer às
urnas para votar sim ou não, respondendo a seguinte pergunta:
"O comércio de armas de fogo e
munição deve ser proibido no Brasil?"
A realização deste referendo foi deliberada com a aprovação da lei
10.826, de 2003, que dispõe sobre o Estatuto do Desarmamento. O artigo
35 desta lei é o que determina a ocorrência desta votação, já que
condiciona a vigência de seu artigo 6º (que disciplina o rol de
agentes públicos e privados que podem portar arma de fogo) à aprovação
mediante referendo popular.
E o que se espera,
e já revela o resultado de pesquisa publicado na capa do jornal O
Estado de S. Paulo, de 3/10, é que uma expressiva votação no “sim” irá
legitimar a proibição da venda de armas de fogo e munições em todo o
Brasil, já que 76% dos entrevistados se disseram favoráveis ao
desarmamento.
Vida real
O Brasil é o
segundo colocado no ranking da Unesco sobre mortes causadas por armas
de fogo . Aqui, ocorrem 40 mil por ano, em média, sendo que o total de
cada ano e meio equivale à soma de mortes ocorridas durante os 13 anos
de guerra no Vietnã. Em compensação, no Japão e Inglaterra, onde o
comércio de armas e munição é proibido, a quantidade de homicídios
anuais é de 30 e 68, respectivamente – quantias estas correspondentes
às ocorrências de um final de semana em São Paulo e uma semana no Rio
de Janeiro.
É inquestionável
que a presença de uma arma de fogo pode transformar qualquer “cidadão
de bem” em um criminoso. “Se a idéia é usar arma para defesa, ela
precisa estar com munição e sempre ao alcance, o que é um risco para a
família”, é o que argumenta o sociólogo Antônio Rangel, da ONG Viva
Rio, e reforça a constatação do cientista político e pesquisador das
Nações Unidas, Guaracy Mingardi, de que a maioria dos homicídios (63%)
é resultado de conflitos pessoais, entre “cidadãos de bem” que portam
armas, como brigas de marido e mulher, confusão entre vizinhos e no
trânsito. Nestes casos, a tendência é o encorajamento, o imediatismo e
espontaneidade.
Há também os casos
de crianças que encontram armas dos pais, resolvem brincar e, ou se
ferem, ou se matam, ou causam um destes males em pessoas que estão ao
seu redor.
Não podemos deixar
de citar que o então mercado legal de armas é o que mantêm o comércio
ilegal e, conseqüentemente, o crescente índice de roubos, seqüestros e
homicídios. No estado de São Paulo, segundo a Polícia Civil, das 77
mil armas apreendidas em 1998, 71.400 foram roubadas de seus donos
originais e 5.500 extraviadas por eles. A estatística apontada por
especialistas é de que existam cerca de 17,5 milhões de armas em
circulação no Brasil, sendo que apenas 10% deste total pertence às
forças armadas e polícias.
Pra que facilitar?
Pra que arriscar,
e amanhã ou depois ver seu filho comprando uma arma e, em um lapso de
nervosismo, tirar a sua própria vida? Ou saber que ao tentar se
defender em um assalto foi ferido, ou morto, e ainda teve sua arma
roubada? Pra que facilitar o envolvimento de “cidadãos de bem” em
situações como estas?
Façamos a nossa
parte para contribuir com a redução do índice de violência em nosso
país.
No dia 23 de
outubro, vote SIM, em defesa do direito à vida! vote 2!
Quem vota
SIM:
Fernanda Montenegro, Ferreira Gular, Marieta Severo, Chico
Buarque, Marcos Palmeira, Gilberto Gil, Lenine, Emerson Fittipaldi,
José Mayer, Maira Paula, Jair Rodrigues, Felipe Dylon, Ângela Vieira,
Lulu Santos, Zezé Motta, Paulo Betti e tantos outros.
Fonte: Revista
Época
Foto: CUT/SP