Espaço Aberto
Estado burguês,
governo de exceção
A trajetória
histórica do nosso país sempre foi marcada por governos burgueses, que
privilegiam as elites dominantes, em detrimento do bem estar geral.
Em pleno século
XXI, nos deparamos com práticas que em nada se diferem dos métodos
utilizados outrora, quando o preconceito, a segregação social e o
apartheid pautavam as ações governamentais. Recentemente fomos
surpreendidos com a medida tomada pelo prefeito José Serra, que mandou
criar rampas embaixo dos viadutos do complexo viário Dr. Arnaldo, para
impedir que moradores de rua possam se abrigar durante a noite e em
dias de chuva. Sem muito estardalhaço, determinou a expulsão dos
trabalhadores das cooperativas de reciclagens, localizadas em baixo de
viadutos, cedidas por administrações anteriores, onde catadores de
material reciclados retiram seus sustentos e de suas famílias, com o
objetivo de beneficiar empresas interessadas neste nicho de mercado
altamente lucrativo. Também sem uma reação mais contestadora da
sociedade, o ex-ministro da dengue está entregando os postos básicos
de Saúde e os hospitais municipais a entidades conhecidas como ONG’s,
que receberão verbas públicas para administrá-las e, como agravante,
estas entidades são ligadas a secretários do governo municipal. Este
filme com o título de “PAS” e um roteiro recheado de corrupção,
irregularidade trabalhista, fiscal e de legislação, com precarização
no atendimento, impondo ao cidadão humilhação e desassistência, nós já
assistimos e testemunhamos o prejuízo que causou a todos.
No governo
estadual não é diferente. Sua última tentativa foi de acabar com o
ensino público, impondo a contratação semestral de professores, os
limitando a uma recontratação e obrigando o professor a ficar no
mínimo dois anos fora da rede pública estadual, para poder concorrer
novamente ao cargo. Esta medida causaria a demissão imediata de mais
de 120 mil professores, a deterioração da educação, com a interrupção
semestral do vínculo do professor com a unidade escolar, a
precarização das condições de trabalho com o fim das férias, décimo
terceiro salários e garantias previdenciárias e, como conseqüência, o
emburrecimento institucional dos nossos filhos. Graças à mobilização
de mais de 30 mil professores, o governo Alckmin sofreu mais uma
derrota, sendo obrigado a retirar o projeto encaminhado à ALESP. É por
isto que esta burguesia oligárquica quer, a qualquer custo, retornar
ao governo central, desmoralizando toda a esquerda brasileira. Para
que possam, com a menor resistência possível, implantar seu modelo
discriminatório e excludente, criando mecanismos que dificultem a
reorganização dos partidos comprometidos com as lutas gerais do povo
brasileiro, a exemplo da reforma eleitoral e a clausula de barreira de
5%. Mas este já é outro debate.
Onofre Gonçalves de Jesus, diretor da Fenametro