Última Edição:
Nº 478 - 15/09/2005

Notícias:

Edições anteriores

 
 

 

 
 
 
 

Opinião do Diretor

O transporte metroviários precisa ser priorizado de fato

Manuel Xavier Lemos Filho*

Durante o 2º Congresso Nacional dos Metroviários participamos de um debate sobre as perspectivas do transporte urbano sobre trilhos em nosso país, com o professor Raul de Bonis, que é um estudioso e antigo batalhador nesta área.

Alguns dos principais pontos que ele levantou em sua palestra foram a necessidade de se estabelecer uma política para o transporte público e que se evidencie a prioridade do metrô e do trem urbano nos grandes conglomerados urbanos.

Desde a década de 70, quando o automóvel passou a ser o grande sonho de consumo, os sucessivos governos investiram pesado na construção de grandes viários, privatizando o espaço público e secundarizando o transporte coletivo, sendo que no caso do transporte sobre trilhos a investida foi pelo sucateamento da malha ferroviária existente, atendendo os desejos das montadoras.

Mesmo assim, com os problemas de mobilidade se avolumando nas grandes capitais do país, o metrô passou a ser um sonho para a imensa maioria que precisava se locomover rapidamente, e uma necessidade para o desenvolvimento econômico.

No entanto, passados trinta anos da inauguração do primeiro trecho de metrô no Brasil, o que temos são apenas 200 km de linhas que, em boa parte, ainda operam com dificuldades, pois, com exceção de São Paulo, que tem ¼ quase todo saturado, os demais operam em situações muito parecidas com a linha 5, onde a falta de planejamento e prioridade baseada nas necessidades da população, atendem interesses muitas vezes inconfessáveis.

Estamos às vésperas da realização da 2ª Conferência Nacional das Cidades. Na etapa estadual que se realiza neste próximo final de semana, temos a obrigação de fazer com que o transporte público seja tratado com a mesma prioridade dos demais problemas urbanos.

Com a criação do Ministério das Cidades tivemos avanços no trato da questão da mobilidade. Mas, infelizmente, o lobby das montadoras e dos donos de empresas de ônibus ainda é muito forte, e tem tido um peso muito grande na definição das políticas de transporte urbano.

Por outro lado, como tem sido apontada pelos companheiros da Fenametro, a política de subsídio que ainda predomina nos metrôs e trens urbanos administrados pelo governo federal, vem sofrendo uma pressão muito forte do ministério da Fazenda. Querem transferir “o problema” para os estados, sem garantia efetiva da manutenção dos serviços à população.

Se é verdade que no governo federal tivemos avanços importantes, é verdade também que no setor de transporte sobre trilhos estamos estagnados e, a permanecer a orientação que vem sendo implementada, poderemos ter imensos retrocessos.

Queremos mais metrô no Brasil. Queremos uma política que priorize o financiamento e ampliação da rede e de subsídios à tarifa que garanta o direito a mobilidade para os trabalhadores. Para nós o metrô tem que ser público, estatal e de qualidade. Vamos para a Conferência das Cidades com estas bandeiras, lutar para reverter essa situação!

* Diretor de Imprensa e
Divulgação do Sindicato,

 
 
 
 
 
 

voltar