Opinião do Diretor
O transporte
metroviários precisa ser priorizado de fato
Manuel Xavier Lemos Filho*
Durante
o 2º Congresso Nacional dos Metroviários participamos de um debate
sobre as perspectivas do transporte urbano sobre trilhos em nosso
país, com o professor Raul de Bonis, que é um estudioso e antigo
batalhador nesta área.
Alguns dos
principais pontos que ele levantou em sua palestra foram a necessidade
de se estabelecer uma política para o transporte público e que se
evidencie a prioridade do metrô e do trem urbano nos grandes
conglomerados urbanos.
Desde a década de
70, quando o automóvel passou a ser o grande sonho de consumo, os
sucessivos governos investiram pesado na construção de grandes
viários, privatizando o espaço público e secundarizando o transporte
coletivo, sendo que no caso do transporte sobre trilhos a investida
foi pelo sucateamento da malha ferroviária existente, atendendo os
desejos das montadoras.
Mesmo assim, com
os problemas de mobilidade se avolumando nas grandes capitais do país,
o metrô passou a ser um sonho para a imensa maioria que precisava se
locomover rapidamente, e uma necessidade para o desenvolvimento
econômico.
No entanto,
passados trinta anos da inauguração do primeiro trecho de metrô no
Brasil, o que temos são apenas 200 km de linhas que, em boa parte,
ainda operam com dificuldades, pois, com exceção de São Paulo, que tem
¼ quase todo saturado, os demais operam em situações muito parecidas
com a linha 5, onde a falta de planejamento e prioridade baseada nas
necessidades da população, atendem interesses muitas vezes
inconfessáveis.
Estamos às
vésperas da realização da 2ª Conferência Nacional das Cidades. Na
etapa estadual que se realiza neste próximo final de semana, temos a
obrigação de fazer com que o transporte público seja tratado com a
mesma prioridade dos demais problemas urbanos.
Com a criação do
Ministério das Cidades tivemos avanços no trato da questão da
mobilidade. Mas, infelizmente, o lobby das montadoras e dos donos de
empresas de ônibus ainda é muito forte, e tem tido um peso muito
grande na definição das políticas de transporte urbano.
Por outro lado,
como tem sido apontada pelos companheiros da Fenametro, a política de
subsídio que ainda predomina nos metrôs e trens urbanos administrados
pelo governo federal, vem sofrendo uma pressão muito forte do
ministério da Fazenda. Querem transferir “o problema” para os estados,
sem garantia efetiva da manutenção dos serviços à população.
Se é verdade que
no governo federal tivemos avanços importantes, é verdade também que
no setor de transporte sobre trilhos estamos estagnados e, a
permanecer a orientação que vem sendo implementada, poderemos ter
imensos retrocessos.
Queremos mais
metrô no Brasil. Queremos uma política que priorize o financiamento e
ampliação da rede e de subsídios à tarifa que garanta o direito a
mobilidade para os trabalhadores. Para nós o metrô tem que ser
público, estatal e de qualidade. Vamos para a Conferência das Cidades
com estas bandeiras, lutar para reverter essa situação!
*
Diretor de Imprensa e
Divulgação do Sindicato,