Editorial
Em defesa do
Brasil e dos brasileiros
No
começo desta semana, os brasileiros foram surpreendidos com uma
notícia espantosa vazada do ministério da Fazenda. A informação diz
respeito a uma proposta de redução da tarifa máxima de importação de
produtos industrializados, de 35% para 10,5%, com o argumento de que o
governo precisa “fazer gestos concretos” para estimular a venda de
produtos brasileiros para o exterior.
Imediatamente, a
CUT enviou uma carta ao ministro Antônio Palocci, na qual manifestou
sua oposição a esta pretensão da Fazenda, que poderá trazer sérias
conseqüências à economia do país, já que nossa arrecadação cairá
drasticamente.
Outra queixa e
reivindicação manifestada pelo presidente da CUT Nacional, João
Felício, é com relação à falta de negociações entre o governo e os
demais atores envolvidos com a postura brasileira diante da
Organização Mundial do Comércio (OMC). Para ele, isto é “algo que
deveria ser natural e esperado num governo com o perfil atual”,
levando em consideração, também, que tais negociações influenciam
diretamente na vida dos trabalhadores.
Numa tentativa de
acalmar os ânimos, Palocci aproveitou a oportunidade da palestra que
ministrava no Segundo Seminário de Economia da Fundação Getúlio Vargas
(FGV), dia 12/9, em São Paulo, para afirmar que as informações
contidas no documento vazado não refletem nenhuma decisão do governo,
e que o mesmo serviria apenas para a realização dos debates. Não
contente com o tumulto causado, e mesmo ciente de que as entidades dos
movimentos sociais repudiam a política econômica que vem implantando
no país, Palocci enfatizou que não irá modificar sua orientação,
mantendo sua política de juros.
Diante desta
persistência, e dando continuidade a todas as manifestações já feitas
pela CUT e demais entidades que compõem a Coordenação dos Movimentos
Sociais (CMS), devemos intensificar a pressão para que a Fazenda mude
sua política econômica e adote medidas que permitam o atendimento das
necessidades da maioria da população brasileira, e não dos bancos e
grandes rentistas. A prioridade de nosso país deve ser o investimento
em produção interna e valorização de nosso trabalho, e não a redução
da tarifa máxima de importação de produtos industrializados, que
poderá resultar no processo inverso ao estímulo produtivo e de
desenvolvimento de nosso país. Palocci continua equivocado, mas a
sociedade organizada não perdeu seu fôlego e esperança para construir
um país que ofereça oportunidades para os trabalhadores que tanto
foram prejudicados durante os oito anos do governo FHC.