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Nº 478 - 15/09/2005

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Editorial

Em defesa do Brasil e dos brasileiros

No começo desta semana, os brasileiros foram surpreendidos com uma notícia espantosa vazada do ministério da Fazenda. A informação diz respeito a uma proposta de redução da tarifa máxima de importação de produtos industrializados, de 35% para 10,5%, com o argumento de que o governo precisa “fazer gestos concretos” para estimular a venda de produtos brasileiros para o exterior.

Imediatamente, a CUT enviou uma carta ao ministro Antônio Palocci, na qual manifestou sua oposição a esta pretensão da Fazenda, que poderá trazer sérias conseqüências à economia do país, já que nossa arrecadação cairá drasticamente.

Outra queixa e reivindicação manifestada pelo presidente da CUT Nacional, João Felício, é com relação à falta de negociações entre o governo e os demais atores envolvidos com a postura brasileira diante da Organização Mundial do Comércio (OMC). Para ele, isto é “algo que deveria ser natural e esperado num governo com o perfil atual”, levando em consideração, também, que tais negociações influenciam diretamente na vida dos trabalhadores.

Numa tentativa de acalmar os ânimos, Palocci aproveitou a oportunidade da palestra que ministrava no Segundo Seminário de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), dia 12/9, em São Paulo, para afirmar que as informações contidas no documento vazado não refletem nenhuma decisão do governo, e que o mesmo serviria apenas para a realização dos debates. Não contente com o tumulto causado, e mesmo ciente de que as entidades dos movimentos sociais repudiam a política econômica que vem implantando no país, Palocci enfatizou que não irá modificar sua orientação, mantendo sua política de juros.

Diante desta persistência, e dando continuidade a todas as manifestações já feitas pela CUT e demais entidades que compõem a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), devemos intensificar a pressão para que a Fazenda mude sua política econômica e adote medidas que permitam o atendimento das necessidades da maioria da população brasileira, e não dos bancos e grandes rentistas. A prioridade de nosso país deve ser o investimento em produção interna e valorização de nosso trabalho, e não a redução da tarifa máxima de importação de produtos industrializados, que poderá resultar no processo inverso ao estímulo produtivo e de desenvolvimento de nosso país. Palocci continua equivocado, mas a sociedade organizada não perdeu seu fôlego e esperança para construir um país que ofereça oportunidades para os trabalhadores que tanto foram prejudicados durante os oito anos do governo FHC.

 
 
 
 
 
 

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