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Nº 477 - 25/08/2005

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Povo nas ruas:

contra a corrupção e a oposição conservadora
 

Diante dos fatos revelados recentemente, a sociedade se demonstra cada vez mais mobilizada e disposta a defender a punição dos responsáveis pelos esquemas de corrupção e pela continuidade do projeto do primeiro governo popular do Brasil.

Dia após dia aumenta a indignação da sociedade brasileira com as revelações feitas no decorrer dos últimos meses, o que resultou na organização de manifestações contra e a favor ao atual governo.

No último dia 16, mais de 10 mil pessoas tomaram o vão largo da Esplanada dos Ministérios em Brasília, e em Itabuna (sul da Bahia) e Aracaju outros milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra as práticas que fizeram eclodir a crise que abalou o governo do presidente Lula, bem como contra as tentativas de seu desmonte.

Antes disso, Porto Alegre, Goiânia e, mais uma vez, Brasília foram palco de grandes atos realizados com o mesmo objetivo. É a volta dos caras pintadas! Porém, desta vez, com o objetivo de apoiar a continuidade da primeira experiência de um governo popular de esquerda, que se opõe à política liberal de subserviência aos EUA.

A Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS); composta pela CUT, UNE, UBES, MST e outras entidades populares; sempre deixou claro que toda esta mobilização é contra a oposição neoliberal das elites brasileiras, encabeçada por FHC e organizada pelo PSDB e PFL, tendo, portanto o objetivo de pressionar o governo Lula a cumprir a agenda de mudanças proposta quando eleito. Uma das principais é a alteração da política econômica, que, enfim, viabilize o desenvolvimento do setor produtivo brasileiro com geração de emprego, e propicie a distribuição de renda.

Em meio a atual conjuntura, a reforma política também entrou no pacote de reivindicações dos movimentos sociais, que cobram o financiamento público de campanhas, fidelidade partidária, instituição da lista partidária, entre outras medidas. Estas são algumas formas de cercear práticas de corrupção em campanhas eleitorais, foco das acusações dos envolvidos nas CPIs em curso.

O lado de lá

Já no dia 17/08, alguns partidos como PSOL e PSTU, junto com o PDT e PPS, fizeram seu ato para também se opor às práticas de corrupção, porém, bradando pelo fim do governo Lula. Isso significa sair às ruas para devolver a governabilidade do país à direita neoliberal, promovendo o retrocesso do Brasil que, em pouco mais de dois anos sob comando do atual governo, conquistou um limiar de recuperação, aumentando a produção interna; ampliando o comércio externo com recordes sucessivos na balança comercial, sem contar com a significativa otimização das relações exteriores, tanto na América Latina, quanto nos demais países do mundo, principalmente aqueles considerados subdesenvolvidos.

Seguindo esta lógica, toda a mobilização das forças progressistas, representada pela CMS, também tem o propósito de desmascarar os que hoje posam como donos da verdade, não para tentar justificar os fatos lamentáveis que o país vem presenciando, mas para alertar que é a esta turma que a esquerda sectária está se aliando, conseqüentemente, dando fôlego para sua investida contra o projeto do primeiro governo popular do Brasil.

Determinação para decidir

Apesar de todo o oportunismo da oposição, os fatos demonstram que a sociedade brasileira resolveu encarar esta luta contra a corrupção. Portanto, se queremos mesmo nos defender contra a retirada de direitos, privatizações e terceirizações, garantindo desenvolvimento, oportunidades de emprego, melhoria salarial e investimentos sociais, é preciso constituir a maioria, manter nossa autonomia e cobrar com ardor a continuidade da recente experiência que tanto progresso ainda pode proporcionar aos trabalhadores do Brasil, América do Sul e demais países.

 
 
 
 
 
 

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