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Nº 476 - 10/08/2005

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Editorial:

Atitude impensada, conseqüências imprevisíveis
 

É preocupante a forma impensada como a direção do Metrô vem administrando a empresa, tanto para o conjunto dos trabalhadores metroviários como para a sociedade. Sua omissão ao negociar com o Sindicato da categoria quase levou São Paulo à paralisia, criando sérios transtornos à população, já prejudicada com uma estrutura de transporte que não oferece mobilidade condizente às suas necessidades, sem contar com a questão do impacto na economia, que não seria secundário, pois estamos tratando da maior metrópole da América Latina.

Ao tentar uma manobra para desmobilizar a categoria, apresentando uma proposta de pagamento da participação nos resultados na calada da noite, sem antes discutir com a instituição que a representa, assumiu o risco de provocar a revolta dos trabalhadores, que se sentiram usados pela má fé da empresa. A reação foi imediata, pois alertou o conjunto dos metroviários para a faceta que se pretendia: não pagar o valor merecido e justo, e dar um “passa moleque” nas pendências da campanha salarial de 2005, assumidas em mesa de negociação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

Esta prática tem sido utilizada pelos defensores do neoliberalismo, que têm como estratégia fragilizar os sindicatos, tentando negociar direitos diretamente com os trabalhadores, numa clara demonstração de desrespeito aos seus órgãos de representação. Onde isto aconteceu, a substituição da entidade sindical fragilizou a organização dos trabalhadores, flexibilizou direitos, precarizou condições de trabalho e provocou demissões. Esta estratégia é aplicada pelos representantes do capital em categorias que têm sindicatos fortes, independentes e com categoria organizada, pois só assim conseguem minar por dentro a fortaleza que representa este conjunto estratégico e vitorioso, sindicato/categoria. Em sindicatos pelegos, este processo se dá pela cooptação, com a concessão de benesses, permitindo a entrega de direitos da categoria através de negociações armadas.

Precisamos ficar atentos, pois somos constantemente bombardeados, não com o objetivo de atacar os metroviários, mas sim uma organização referencial da resistência dos trabalhadores brasileiros. Precisamos fazer jus ao que representamos para o conjunto de trabalhadores brasileiros, inclusive da América Latina.

 

 
 
 
 
 
 

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