Editorial:
Atitude impensada, conseqüências
imprevisíveis
É preocupante a
forma impensada como a direção do Metrô vem administrando a empresa,
tanto para o conjunto dos trabalhadores metroviários como para a
sociedade. Sua omissão ao negociar com o Sindicato da categoria quase
levou São Paulo à paralisia, criando sérios transtornos à população,
já prejudicada com uma estrutura de transporte que não oferece
mobilidade condizente às suas necessidades, sem contar com a questão
do impacto na economia, que não seria secundário, pois estamos
tratando da maior metrópole da América Latina.
Ao tentar uma
manobra para desmobilizar a categoria, apresentando uma proposta de
pagamento da participação nos resultados na calada da noite, sem antes
discutir com a instituição que a representa, assumiu o risco de
provocar a revolta dos trabalhadores, que se sentiram usados pela má
fé da empresa. A reação foi imediata, pois alertou o conjunto dos
metroviários para a faceta que se pretendia: não pagar o valor
merecido e justo, e dar um “passa moleque” nas pendências da campanha
salarial de 2005, assumidas em mesa de negociação no Tribunal Regional
do Trabalho (TRT).
Esta prática tem
sido utilizada pelos defensores do neoliberalismo, que têm como
estratégia fragilizar os sindicatos, tentando negociar direitos
diretamente com os trabalhadores, numa clara demonstração de
desrespeito aos seus órgãos de representação. Onde isto aconteceu, a
substituição da entidade sindical fragilizou a organização dos
trabalhadores, flexibilizou direitos, precarizou condições de trabalho
e provocou demissões. Esta estratégia é aplicada pelos representantes
do capital em categorias que têm sindicatos fortes, independentes e
com categoria organizada, pois só assim conseguem minar por dentro a
fortaleza que representa este conjunto estratégico e vitorioso,
sindicato/categoria. Em sindicatos pelegos, este processo se dá pela
cooptação, com a concessão de benesses, permitindo a entrega de
direitos da categoria através de negociações armadas.
Precisamos ficar
atentos, pois somos constantemente bombardeados, não com o objetivo de
atacar os metroviários, mas sim uma organização referencial da
resistência dos trabalhadores brasileiros. Precisamos fazer jus ao que
representamos para o conjunto de trabalhadores brasileiros, inclusive
da América Latina.