Carta ao povo brasileiro
A
diretoria ampliada do Sindicato aprovou a “Carta ao povo brasileiro”,
subescrita, até agora, por mais de 50 entidades sociais, populares,
sindicais, estudantis e outras, aderindo à luta da Coordenação dos
Movimentos Sociais (CMS) em defesa do governo Lula, do combate à
corrupção e avanço nas mudanças, principalmente na área econômica.
Este manifesto deverá ser entregue ao presidente da República, junto
com a agenda de mobilizações que acontecerão nas capitais e principais
cidades do país.
“Contra a
desestabilização política do governo e contra a corrupção: Por
mudanças na política econômica, pela prioridade nos direitos sociais e
por reformas políticas democráticas!”
“A sociedade
brasileira mudou e, na Constituinte de 1988, decidiu por mudanças.
Constituiu novos poderes e elegeu novos governantes, para promover
processos de transformação social. Criou novas estruturas, combateu
velhas instituições e gerou novos mecanismos para fazer valer os
direitos de todas e cada uma das pessoas a uma vida digna.
Com a força desta
história recente, mas vigorosa, de fortalecimento e radicalização da
democracia em nosso país que nós, representantes das organizações
populares, das organizações não governamentais, do movimento sindical,
dos movimentos sociais e personalidades, convocamos toda a sociedade
brasileira, cada cidadão e cada cidadã, para uma grande e contínua
mobilização que torne possível enfrentar a crise política e fazer
prevalecer os princípios democráticos.
Nas últimas
eleições, com a esperança de realizar mudanças na política neoliberal
que vinha sendo praticada desde 1990, o povo brasileiro elegeu o
Presidente Lula. Até este momento, avaliamos que pouca coisa mudou e
presenciamos um mandato cheio de contradições. De um lado, o governo
seguiu com uma política econômica neoliberal, resultado de suas
alianças conservadoras. De outro, adotou um discurso da prioridade
social e uma política externa soberana e de aliança com as nações em
desenvolvimento. A eleição do Lula reacendeu as esperanças na América
Latina, e influiu de forma positiva em alguns conflitos políticos na
região.
De olho nas
eleições de 2006, as elites iniciaram, através dos meios de
comunicação uma campanha para desmoralizar o governo e o Presidente
Lula, visando enfraquecê-lo, para derrubá-lo ou obrigá-lo a aprofundar
a atual política econômica e as reformas neoliberais, atendendo aos
interesses do capital internacional.
Preocupados com o
processo democrático e também com as denúncias de corrupção que
deixaram o povo perplexo, vimos à publico dizer que somos contra
qualquer tentativa de desestabilização do governo legitimamente
eleito, patrocinada pelos setores conservadores e antidemocráticos.
Exigimos completa
e rigorosa investigação das denúncias de corrupção, feitas ao
Congresso Nacional e à imprensa, e punição dos responsáveis. Sabemos
que a corrupção tem sido, lamentavelmente, o método tradicional usado
pelas elites para governarem o país.
Exigimos também a
investigação das denúncias de corrupção, por ocasião da votação da
emenda constitucional que aprovou a reeleição e dos processos de
privatização das estatais ocorridas no governo de Fernando Henrique
Cardoso.
Trata-se portanto,
de fundamentar a vida política em princípios éticos como a separação
entre interesses privados e interesses públicos, de transparência nos
processos decisórios e a promoção da justiça social.
Diante da atual
crise, o governo Lula terá a opção de retomar o projeto pelo qual foi
eleito, e que mobilizou a esperança de milhões de brasileiros e
brasileiras. Projeto este que tem como base à transformação da
sociedade e do Estado brasileiros, uma sociedade dividida entre os que
tudo podem e tudo têm e aqueles que nada podem e nada têm.
Por isso, vimos a
público defender, e propor ao governo Lula, ao Congresso Nacional e a
sociedade civil, as seguintes medidas:
1- Realizar e
apoiar uma ampla investigação de todas as denúncias de corrupção que
estão sendo analisadas no Congresso Nacional e punir os responsáveis
2- Excluir do
governo federal setores conservadores que querem apenas manter
privilégios, afastar autoridades sobre as quais paira qualquer
suspeição e recompor sua base de apoio, reconstruindo uma nova maioria
política e social em torno de uma plataforma anti-neoliberal.
3- Realizar
mudanças na política econômica no sentido de priorizar as necessidades
do povo e construir um novo modelo de desenvolvimento. A sociedade não
suporta mais tamanhas taxas de juros, as mais altas do mundo, sob o
pretexto de combater a inflação. A sociedade não sustenta a manutenção
de um superávit primário, que apenas engorda os bancos. Os recursos
públicos têm de ser investidos, prioritariamente, na garantia dos
direitos constitucionais, entre eles, emprego, salário-mínimo digno,
saúde, educação, moradia, reforma agrária, meio ambiente, demarcação
das terras indígenas e quilombolas.
4- Realizar, a
partir do debate com a sociedade, uma ampla reforma política
democrática. Uma reforma que fortaleça a democracia e dê ampla
transparência ao funcionamento dos partidos políticos e aos processos
decisórios. Por isso, somos favoráveis à fidelidade partidária, ao
financiamento público exclusivo das campanhas, à exclusão das
cláusulas de barreira, e à apresentação de candidaturas em listas
fechadas com alternância de gênero e etnia, obedecendo critérios de
representação política pluriétnica e multiracial. Queremos também a
imediata regulamentação dos processos de democracia direta, que
implica o exercício do poder popular mediante plebiscitos e
referendos, conforme proposta apresentada pela CNBB e a OAB ao
Congresso Nacional.
5- Fortalecer os
espaços de participação social na administração pública e criar novos
espaços nas empresas estatais e de economia mista, viabilizando o
controle social e real compartilhamento do poder.
6- Fortalecer as
iniciativas locais em favor da cidadania e da participação e da
educação popular, como por exemplo os comitês pela ética na política,
conselhos de controle social, escolas de formação política.
7- Enfrentar o
monopólio dos meios de comunicação, garantindo sua democratização,
inclusive através do fortalecimento das redes públicas e comunitárias.
Neste momento de
mobilização, conclamamos as forças democráticas e populares a se
mobilizarem para realizar manifestações de rua e protestos, e
trabalhar para promover as verdadeiras mudanças que o país e o povo
precisa.
Brasília, 21 de
junho de 2005.
Atenciosamente