Há um ditado que diz que os verdadeiros
amigos se conhecem nos momentos de dificuldade.
Esta lealdade foi manifestada na defesa
enfática que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, no dia 29/3,
no encontro de cúpula em Ciudad Guayana, do governo do presidente
Chávez, demonstrando mais uma vez que a integração sul-americana,
enquanto projeto indispensável ao desenvolvimento do Mercosul, somente
será viável se for respeitada a soberania dos povos.
A importância da solidariedade do governo
Lula ganhou maior relevância por ter ocorrido em um momento em que o
governo Bush aperta o cerco contra o governo Chávez. Tenta isolá-lo na
arena internacional e, principalmente, busca incompatibilizá-lo com
seus vizinhos sul-americanos.
Pouco antes da Páscoa havia passado por
Brasília o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld. À
moda imperial, disse que o governo Bush estava “preocupado” pelo fato
de a Venezuela ter anunciado a compra de 100 mil fuzis da Rússia. No
mesmo dia da reunião na Ciudad Guayana, o próprio Bush telefonou para
o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, manifestando a mesma
“preocupação”.
A política internacional do presidente
Lula é muito diferente da política dos tucanos que, durante o mandato
do FHC manteve o país submisso aos interesses dos EUA.
Por isso, Lula empreende com vigor a
defesa do legítimo e democrático governo venezuelano e, com firmeza e
habilidade, paralisou a implementação do projeto da Alca que quando de
sua posse vinha a todo vapor.
Com a sagacidade usual, o Ministério das
Relações Exteriores do Brasil, sob a chefia do chanceler Celso Amorim,
também fez a defesa do governo Chávez e se contrapôs abertamente aos
rugidos de governo Bush explorando as contradições entre os Estados
Unidos e a Europa.
As declarações do presidente Lula em
defesa da soberania venezuelana demonstraram que o Brasil está
apostando no estreitamento das relações entre os países latino
-americanos, um sonho que os partidos de esquerda sempre mantiveram e
agora começa a se tornar realidade.
Onofre Gonçalves de Jesus, secretário
de relações intersindicais da Federação Nacional dos Metroviários