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Nº 470 - 04/04/2005

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Editorial:

Brasil se livra do FMI

O governo brasileiro anunciou nesta semana que não vai renovar o acordo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Foi uma decisão importante para a retomada da autonomia do Estado brasileiro, pois agora o Brasil está livre de uma tutela externa que há sete anos impedia que o governo exercesse uma gestão autônoma da economia do país.

A libertação do Brasil da tutela do FMI é um mérito do governo Lula, que soube contornar a grave crise herdada do governo FHC. Quando assumiu o governo em janeiro de 2003 o país estava enfrentando uma grave crise econômica, com a inflação fora do controle, sem crédito internacional e havia uma descrença sobre a capacidade do governo honrar seus compromissos com a dívida externa. Agora, alicerçado nos êxitos econômicos, o governo Lula tomou uma decisão que resgata os compromissos assumidos antes de ser eleito.

Sem o acordo com o FMI, o Brasil não precisa mais cumprir os objetivos estabelecidos pelo Fundo, como o superávit primário. No entanto, Palocci, mantendo sua postura ortodoxa e insensível às necessidades reais da nação, afirmou que o governo continuará perseguindo a margem de 4,25% do PIB, que estava acordada com a entidade.

Isso demonstra que a luta pela mudança no rumo da política macroeconômica deve continuar, mas agora em melhores condições, pois daqui por diante não se poderá alegar as imposições das cláusulas do FMI que impediam os investimentos na área social ou na recuperação da infra-estrutura do país.

Embora a não renovação do acordo agora apareça como uma “unanimidade nacional”, a decisão do governo Lula representa uma derrota para os conservadores que até a última hora pressionavam para que houvesse a renovação com o Fundo, e uma vitória do campo político e social da base de apoio do governo que luta pelo avanço das mudanças, pela implementação de um projeto de desenvolvimento soberano e democrático, com valorização do trabalho e distribuição de renda.

Como disse o presidente Lula, o Brasil conquistou a oportunidade de “andar com suas próprias pernas e com sua própria orientação”.

 
 
 
 
 
 

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