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Nº 465 - 29/11/2004

 

Deixem os obesos em paz

Comissão de Direitos Humanos promove audiência na Assembléia Legislativa para discutir o programa de emagrecimento aplicado pelo Metrô para os seguranças da empresa


A Comissão de Direitos Humanos debateu o programa de emagrecimento e o presidente do Metrô disse que vai considerar sugestões apresentadas pelo Sindicato

A Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado, presidida pelo Deputado Renato Simões (PT), discutiu na última quinta-feira, 25/11, o programa de emagrecimento aplicado pelo Metrô no OPS.

Participaram do debate vários deputados, o presidente do Metrô, Luiz Carlos Frayze David, os presidentes do Sindicato dos Metroviários, Flávio Godoi, e do Sindicato dos Médicos de São Paulo, José Erivalder Oliveira, além de outros sindicalistas e diversos companheiros da categoria.

Frayze David justificou as razões que levaram a empresa a implantar o programa de combate à obesidade. Segundo ele, o Metrô recebe diariamente cerca de 2,5 milhões de usuários e, para acompanhar esse fluxo, é necessário que os agentes de segurança tenham preparo físico condizente com os cargos que ocupam.

Flávio Godoi explicou que o assunto veio para o âmbito da comissão porque a categoria não obteve avanço ao tentar dialogar com a companhia. “Nosso intuito é resolver a questão e não apenas denunciar. Assim, elaboramos sugestões” prevendo que a aferição de peso não deve mais ser feita pelo Departamento de Segurança, mas sim por um grupo multidisciplinar de médicos, nutricionistas, psicólogos, etc; garantia de emprego e realocação por motivos de obesidade, lesão, idade ou restrições médicas; criação de uma comissão paritária para discutir e implantar um programa que não vise tão somen-te o combate à obesidade, mas também às suas consequências, como diabete tipo 2, doenças coronarianas, hipertensão e diversos tipos de câncer; implantação de um centro de treinamento e condicionamento físico com um programa exclusivo para agentes de segurança; revisão geral do programa implantado; e fornecimento pela companhia de roupas e calçados adequados para a realização de exercícios.

O presidente do Metrô concluiu que como o programa é um sistema novo, ele é passível de erros. “O importante é mantê-lo para garantir a saúde dos funcionários e a excelência dos serviços. Ouviremos o Sindicato e, se preciso, vamos corrigir as falhas”, afirmou o presidente do Metrô.

Na Comissão dos Direitos Humanos da Assembléia Legislativa ficou registrado o compromisso do Metrô de não demitir ninguém por motivo de peso. Se o preconceito for retomado pela empresa, será denunciado na Organização Internacional do Trabalho (OIT) e na Organização dos Estados Americanos (OEA), além de ser remetido à Comissão de Relações no Trabalho e à Comissão de Assuntos Metropolitanos da Assembléia Legislativa.

O compromisso do Metrô em não demitir quem está acima do peso é mais uma vitória da categoria que se mobilizou contra o preconceito aos obesos.

 

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