Deixem os obesos em
paz


Comissão de Direitos Humanos
promove audiência na Assembléia Legislativa para discutir o programa
de emagrecimento aplicado pelo Metrô para os seguranças da empresa
A Comissão de Direitos Humanos debateu o programa de emagrecimento e o
presidente do Metrô disse que vai considerar sugestões apresentadas
pelo Sindicato
A Comissão de
Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado, presidida pelo
Deputado Renato Simões (PT), discutiu na última quinta-feira, 25/11, o
programa de emagrecimento aplicado pelo Metrô no OPS.
Participaram do
debate vários deputados, o presidente do Metrô, Luiz Carlos Frayze
David, os presidentes do Sindicato dos Metroviários, Flávio Godoi, e
do Sindicato dos Médicos de São Paulo, José Erivalder Oliveira, além
de outros sindicalistas e diversos companheiros da categoria.
Frayze David
justificou as razões que levaram a empresa a implantar o programa de
combate à obesidade. Segundo ele, o Metrô recebe diariamente cerca de
2,5 milhões de usuários e, para acompanhar esse fluxo, é necessário
que os agentes de segurança tenham preparo físico condizente com os
cargos que ocupam.
Flávio Godoi
explicou que o assunto veio para o âmbito da comissão porque a
categoria não obteve avanço ao tentar dialogar com a companhia. “Nosso
intuito é resolver a questão e não apenas denunciar. Assim, elaboramos
sugestões” prevendo que a aferição de peso não deve mais ser feita
pelo Departamento de Segurança, mas sim por um grupo multidisciplinar
de médicos, nutricionistas, psicólogos, etc; garantia de emprego e
realocação por motivos de obesidade, lesão, idade ou restrições
médicas; criação de uma comissão paritária para discutir e implantar
um programa que não vise tão somen-te o combate à obesidade, mas
também às suas consequências, como diabete tipo 2, doenças
coronarianas, hipertensão e diversos tipos de câncer; implantação de
um centro de treinamento e condicionamento físico com um programa
exclusivo para agentes de segurança; revisão geral do programa
implantado; e fornecimento pela companhia de roupas e calçados
adequados para a realização de exercícios.
O presidente do
Metrô concluiu que como o programa é um sistema novo, ele é passível
de erros. “O importante é mantê-lo para garantir a saúde dos
funcionários e a excelência dos serviços. Ouviremos o Sindicato e, se
preciso, vamos corrigir as falhas”, afirmou o presidente do Metrô.
Na Comissão dos
Direitos Humanos da Assembléia Legislativa ficou registrado o
compromisso do Metrô de não demitir ninguém por motivo de peso. Se o
preconceito for retomado pela empresa, será denunciado na Organização
Internacional do Trabalho (OIT) e na Organização dos Estados
Americanos (OEA), além de ser remetido à Comissão de Relações no
Trabalho e à Comissão de Assuntos Metropolitanos da Assembléia
Legislativa.
O compromisso do
Metrô em não demitir quem está acima do peso é mais uma vitória da
categoria que se mobilizou contra o preconceito aos obesos.