Proposta deve ser alterada

Abertura da SIPAT no Pátio Itaquera sem a participação da Cipa
Operação
Apesar das
interferências do Metrô nas decisões dos cipistas, a CIPA é
instrumento importante de denúncia e conscientização sobre as
condições de trabalho que provocam acidentes e doenças ocupacionais
A Comissão Interna
de Prevenção de Acidentes de Trabalho (CIPA) é o único organismo
estabelecido na legislação trabalhista que prevê a organização dos
trabalhadores no local de trabalho, garantindo a participação de seus
representantes eleitos sem o risco de perderem o emprego. Ela também é
um instrumento de conscienti-zação, de formação e desenvolvimento das
lideranças dos trabalhadores.
No Metrô, a CIPA
foi constituída em agosto de 1969. Sem um setor de segurança, a CIPA
assumiu as funções de fiscalização, controle dos acidentes e riscos,
além de propor medidas preventivas e corretivas no local de trabalho.
Em 1972, com a mudança na legislação, foi criada a Divisão de
Segurança do Trabalho e a CIPA passou a atuar junto com esta área.
Com a organização
dos metroviários, primeiro na AEMESP e depois de 1981 no Sindicato dos
Metroviários, os ativistas da categoria passaram a atuar na CIPA
denunciando os diversos problemas no local de trabalho.
Em 1986, o
Conselho de Representantes dos Empregados (CRE) propôs a
democratização da CIPA no Metrô. Houve alteração no Regulamento
Interno e o presidente passou a ser eleito por todos os cipistas
através de uma lista tríplice de representantes da empresa.
Em 1990, após a
fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), solicitada pelo
Sindicato, o Metrô passou a ter que instalar CIPAs por
estabelecimento, o que significava mais de sessenta CIPAs. O Metrô
contestou e, para superar o impasse, o Sindicato propôs um acordo
criando quatro CIPAs Descentralizadas (Operação, Manutenção, Obras e
Edifícios).
Em 1992, um novo
acordo foi estabelecido na DRT, alterando o Instrumento Normativo do
Regulamento Interno das CIPAs Descentralizadas, aumentando para seis o
número de CIPAs (Operação LNS e Paulista, Operação LLO, Manutenção PAT,
Manutenção PIT, Obras e Edifícios) e instituindo a escolha do
presidente por todos cipistas, além de outros mecanismos de
democratização que fortaleceram o funcionamento colegiado e ampliou a
possibilidade de atuação dos cipistas, como a liberação de tempo para
atuação do presidente, secretário e outros membros, e a
infra-estrutura que permitiu maior autonomia das comissões. Na
oportunidade, a representação dos metroviários elegeu quatro
presidentes de CIPA (Operação LNS e Paulista, Operação LLO, Manutenção
PAT e Edifícios).
Uma nova alteração
em 1994 criou mais duas CIPAs Descentralizadas (Operação LMO e
Manutenção Linhas), além de tentar a ampliação do mandato para dois
anos, o que não se consolidou devido a um parecer negativo da DRT.
Como a resposta da DRT só se concretizou um ano e meio após a
consulta, o mandato foi prorrogado até a próxima eleição.
Em 1995 a direção
do Metrô, retrógrada, truculenta e antidemocrática, desferiu um golpe
em todas as conquistas que os metroviários obtiveram, revogando o
Instrumento Normativo e instituindo um novo Instrumento que reproduziu
os critérios e normas estabelecidas na NR5 da Portaria 3214 do MTb.
Com a alteração da
legislação que regulamenta a CIPA em 1999, o Sindicato e os cipistas
retomaram a luta pela democratização, transparência e ampliação do
poder de intervenção dos representantes eleitos pelos metroviários. A
DRT foi acionada e, após várias negociações, conquistamos o atual
Instrumento Normativo que ampliou significativamente o número de
cipistas, resgatou algumas conquistas democráticas e garantiu o poder
de intervenção da representação dos metroviários.
Percorremos um
longo caminho para consolidar uma CIPA democrática, transparente e de
luta, mas até hoje o Metrô dificulta o trabalho dos cipistas e
interfere nas suas decisões, o que tem gerado o aumento de acidentes
de trabalho, principalmente com a política do RHT de desestruturar o
Departamento de Saúde e Segurança do Trabalho que impede as atividades
de fiscalização preventiva dos técnicos em segurança do trabalho. Eles
passaram ficar confinados no CCO para realizar atividades
burocráticas, antes exercidas por auxiliares administrativos, quando
deveriam circular nas áreas para se familiarizar com a rotina de
trabalho e observar as situações de risco. Os cipistas têm se
manifestado contra o descaso do Metrô com o Departamento de Saúde e
Segurança do Trabalho, mas a situação se agrava a cada dia, o que
exige uma maior mobilização da categoria para que o Metrô cumpra a sua
obrigação de assegurar que os trabalhos se desenvolvam em ambientes
seguros.