Espaço
Aberto
A criminalização da luta dos
trabalhadores
Está em curso na
Polícia Federal uma investigação sobre a responsabilidade do
ex-presidente do Sindicato, Onofre Gonçalves de Jesus, por não ter
realizado o esquema de emergência durante a greve de 2001. A greve foi
considerada abusiva e o Sindicato foi condenada a pagar multa de R$
100 mil.
O delegado da
Polícia Federal já formou sua opinião previa que condena o Onofre por
crime de desobediência judicial. Mas o inquérito está em andamento e
quando for concluído deverá ser remetido ao Ministério Público que
poderá propor ação penal.
O atual presidente
do Sindicato, Flávio Godoi, também foi condenado pelo Ministério
Público pela realização da greve em 2003, que o Tribunal Regional do
Trabalho e o Tribunal Superior do Trabalho considerou não abusiva e
isentou o Sindicato de pagar multa. Mesmo assim, o Ministério Público
do Trabalho abriu processo responsabilizando criminalmente o Godoi
pelo não cumprimento do esquema de emergência.
A criminalização
da luta dos metroviários que está em curso na Polícia Federal e no
Ministério Público do Trabalho demonstra que o direito de greve para
trabalhadores não é efetivo, apesar do dispositivo constar na
Constituição de 1988.
No caso de
paralisação em serviços essenciais, como o transporte público, os
trabalhadores ficam com o direito de greve pela metade. É como disse o
presidente da Federação Nacional dos Metroviários, Wagner Fajardo, em
artigo publicado na revista “Debate Sindical”, nº. 49: “os
trabalhadores em serviços essenciais têm seu direito limitado, mas não
lhes são dadas quaisquer garantia de tratamento diferenciado nas
negociações”.
Garantir o pleno
direito à greve, inclusive nos serviços essenciais, é uma luta que
estamos enfrentando na Reforma Sindical, pois o texto que está em
andamento do Fórum Nacional do Trabalho garante o direito de greve,
mas desde que não afete a população.
Para que esta luta
tenha êxito, é necessário que os metroviários de todo o país se
mobilizem junto com todos os trabalhadores para evitar que a
criminalização das greves seja consolidada na reforma sindical.
Dagnaldo
Gonçalves
Diretor da
Federação Nacional dos Metroviários
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opinião do Sindicato. Os artigos podem ter no máximo 20 linhas de 70
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