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Nº 465 - 29/11/2004


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Editorial

Um Brasil para todos

A saída do economista Carlos Lessa da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) frustrou as expectativas de todos que lutam em defesa do desenvolvimento soberano, com justiça social e distribuição de renda.

A exoneração de Lessa é resultado de pressões dos setores conservadores, vinculados ao capital financeiro, com grande poder na sociedade brasileira e presente no âmbito do próprio governo, capitaneados pelo Ministro Palocci. Esta corrente, que defende os fundamentos e idéias neoliberais, por ter a gestão de Lessa como um obstáculo às suas estratégias econômicas passou a bombardear o trabalho do BNDES.

Os ideais capitalistas, agressivos e pragmáticos, querem ocupar todo o espaço da esperança do povo brasileiro, mas terão que assumir as responsabilidades pelas incertezas da política econômica, baseada na concentração de renda, através do superávit primário, e nas altas taxas de juros que inibem o consumo e o combate ao desemprego.

Esta realidade é um enigma da teoria social: como a elite, minoritária, consegue manter seu poder político e seus privilégios num governo eleito pelo povo para realizar as mudanças necessárias no rumo de uma sociedade justa e igualitária?

A resposta está na raiz da estrutura da política brasileira, pois Lessa saiu do BNDES por defender o crescimento da economia dentro de um novo projeto nacional de desenvolvimento. Polemizou com as concepções que querem condenar um país a um crescimento nanico, longe das suas possibilidades e necessidades.

Se para a elite financeira o atual rumo da economia é inevitável, a dominação da estupidez só oferece aos trabalhadores a única alternativa de acreditar no potencial de mobilização na defesa de um Brasil para todos.

 
 
 
 
 
 

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