A saída do economista Carlos Lessa da
presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) frustrou as expectativas de todos que lutam em defesa do
desenvolvimento soberano, com justiça social e distribuição de renda.
A exoneração de Lessa é resultado de
pressões dos setores conservadores, vinculados ao capital financeiro,
com grande poder na sociedade brasileira e presente no âmbito do
próprio governo, capitaneados pelo Ministro Palocci. Esta corrente,
que defende os fundamentos e idéias neoliberais, por ter a gestão de
Lessa como um obstáculo às suas estratégias econômicas passou a
bombardear o trabalho do BNDES.
Os ideais capitalistas, agressivos e
pragmáticos, querem ocupar todo o espaço da esperança do povo
brasileiro, mas terão que assumir as responsabilidades pelas
incertezas da política econômica, baseada na concentração de renda,
através do superávit primário, e nas altas taxas de juros que inibem o
consumo e o combate ao desemprego.
Esta realidade é um enigma da teoria
social: como a elite, minoritária, consegue manter seu poder político
e seus privilégios num governo eleito pelo povo para realizar as
mudanças necessárias no rumo de uma sociedade justa e igualitária?
A resposta está na raiz da estrutura da
política brasileira, pois Lessa saiu do BNDES por defender o
crescimento da economia dentro de um novo projeto nacional de
desenvolvimento. Polemizou com as concepções que querem condenar um
país a um crescimento nanico, longe das suas possibilidades e
necessidades.
Se para a elite financeira o atual rumo da
economia é inevitável, a dominação da estupidez só oferece aos
trabalhadores a única alternativa de acreditar no potencial de
mobilização na defesa de um Brasil para todos.