Espaço
Aberto
Submissão desumana
Sabemos que no
Metrô somos muitos e, de certa forma, somos números. Ou melhor, somos
numerados logo que entramos na Cia. Até nós nos “vemos” assim,
comparando nossos RGs. Porém, atrás de todo RG há uma pessoa, um ser
humano que deve ser respeitado na sua totalidade.
O que vemos é que
os nossos supervisores (SGs e SLs) estão esquecendo este detalhe: nas
estações não trabalham máquinas, e sim seres humanos dotados de
inteligência e sentimentos. Inteligência subestimada e sentimentos
ignorados. Somos usados como peças de um jogo e movimentados de uma
estação para outra sem justificativas plausíveis ou, no mínimo,
compreensíveis.
Diante de “tão
importante necessidade de mudança”, nada se leva em conta, nem mesmo
arriscar a vida de outro ser humano. Pois foi o que aconteceu comigo.
Eu estava grávida e com uma gestação de risco. Minha médica disse que
não haveria necessidade de afastamento do trabalho (até mesmo pelo
fato de, segundo ela, não colocar o meu emprego em risco), tendo que
me cercar de cuidados físicos e emocionais, pois havia perdido um bebê
há apenas cinco meses. A mudança era tão importante que mesmo diante
de dois relatórios médicos ela foi feita sob o pretexto de que lá
seria melhor para mim, e fui transferida de JUD para COM.
Em nenhum momento
houve por parte da supervisão a boa vontade de, pelo menos, ajudar a
minimizar a situação, mesmo ciente de que naquele momento tão especial
eu deveria ser poupada, pois meu bebê corria risco de vida. E,
infelizmente, após alguns dias perdi novamente o meu tão amado bebê.
Diante de tudo
isso eu me pergunto onde estão os seres humanos, desapareceram entre
números e procedimentos?
Temos como
supervisores seres humanos despreparados, que não sabem lidar com
pessoas, e desprovidos de sentimentos, que não sabem respeitar ao seu
próximo. Será que eles já se perguntaram o que é ser um supervisor? E
até quando teremos que ser comandados por pessoas como estas?
Amigos, não
permitam que o mesmo aconteça com vocês. Façamos valer o nosso direito
de pensar, sentir e viver além das paredes do Metrô.
Valéria Talarico - AE/CON
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