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Nº 462 - 30/09/2004

 


Espaço Aberto

Submissão desumana

Sabemos que no Metrô somos muitos e, de certa forma, somos números. Ou melhor, somos numerados logo que entramos na Cia. Até nós nos “vemos” assim, comparando nossos RGs. Porém, atrás de todo RG há uma pessoa, um ser humano que deve ser respeitado na sua totalidade.

O que vemos é que os nossos supervisores (SGs e SLs) estão esquecendo este detalhe: nas estações não trabalham máquinas, e sim seres humanos dotados de inteligência e sentimentos. Inteligência subestimada e sentimentos ignorados. Somos usados como peças de um jogo e movimentados de uma estação para outra sem justificativas plausíveis ou, no mínimo, compreensíveis.

Diante de “tão importante necessidade de mudança”, nada se leva em conta, nem mesmo arriscar a vida de outro ser humano. Pois foi o que aconteceu comigo. Eu estava grávida e com uma gestação de risco. Minha médica disse que não haveria necessidade de afastamento do trabalho (até mesmo pelo fato de, segundo ela, não colocar o meu emprego em risco), tendo que me cercar de cuidados físicos e emocionais, pois havia perdido um bebê há apenas cinco meses. A mudança era tão importante que mesmo diante de dois relatórios médicos ela foi feita sob o pretexto de que lá seria melhor para mim, e fui transferida de JUD para COM.

Em nenhum momento houve por parte da supervisão a boa vontade de, pelo menos, ajudar a minimizar a situação, mesmo ciente de que naquele momento tão especial eu deveria ser poupada, pois meu bebê corria risco de vida. E, infelizmente, após alguns dias perdi novamente o meu tão amado bebê.

Diante de tudo isso eu me pergunto onde estão os seres humanos, desapareceram entre números e procedimentos?

Temos como supervisores seres humanos despreparados, que não sabem lidar com pessoas, e desprovidos de sentimentos, que não sabem respeitar ao seu próximo. Será que eles já se perguntaram o que é ser um supervisor? E até quando teremos que ser comandados por pessoas como estas?

Amigos, não permitam que o mesmo aconteça com vocês. Façamos valer o nosso direito de pensar, sentir e viver além das paredes do Metrô.

Valéria Talarico - AE/CON

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