30 anos de Metrô
A história em
migalhas
Não
por acaso, os defensores de políticas autoritárias sempre manipulam os
fatos para forjar suas interpretações e excluírem os trabalhadores da
história.
No Metrô não é
diferente e a farsa já estava presente na demonstração do
funcionamento do metrô, em 6 de setembro de 1972, quando o presidente
Emílio Garrastazu Médici, apertou uma campainha para avisar o operador
que deveria funcionar o trem, fazendo todos jornais, que eram
controlados pelo ditador, divulgarem no dia seguinte que o trêm fora
acionado por ele à distância.
A inauguração
oficial do metrô ocorreu em 14 de setembro de 1974, mas a história
continuou a ser contada através de publicações oficiosas, em capítulos
divididos pelos períodos das gestões dos governos do Estado, com dados
sobre os investimentos na expansão, aplicação de novas tecnologias,
número de usuários e outros dados técnicos.
Assim passaram-se
30 anos. O autoritarismo abandonou a farda, mas não a estratégia de
apagar a luta dos metroviá-rios na construção e consolidação do Metrô
como uma empresa pública, que presta um serviço de qualidade para a
população paulistana.
A estratégia dos
governantes de mascarar os conflitos entre capital e tra-balho no
Metrô fragmentou a história da empresa em migalhas de informações
técnicas, mas nem sempre precisas, como ocorreu recentemente nos dados
publicados na reportagem da edição do dia 16/9 do jornal Diário de
S.Paulo, que constatou que os governadores do PSDB tiveram o pior
desempenho nos 30 anos de funcionamento do metrô de São Paulo.
Tucanos têm o pior desempenho
Comparando
o crescimento do Metrô em cada gestão, a reportagem sustentou que os
tucanos Mário Covas e Geraldo Alckmin entregaram à população apenas
14,2 quilômetros de linhas, desempenho pior que o do PMDB de Orestes
Quércia e de Paulo Maluf, do PP.
Os dados foram
fornecidos pela assessoria de imprensa do Metrô, que informou nomes de
governadores, períodos de administração, números de estações e
quilômetros de linhas construídas nas gestões desde 1974, quando foi
ini-ciada a operação comercial. Depois a empresa alegou que a tabela
estava errada, mas não explicou as falhas, alegando que a leitura
detalhada da herança metroviária de cada gestão mostra que o
desempenho de Paulo Maluf foi inferior, em média, ao dos tucanos.
A realidade é que
os governos tucanos não investiram recursos públicos na expansão e
manutenção do sistema metroviário, e o metrô de São Paulo é mantido só
com o valor das tarifas. Além disso, a redução de custos implantada na
empresa poderá afetar a qualidade dos serviços, pois além do reduzido
quadro de funcionários, falta até papel higiênico em algumas estações.
Para especialistas
em transporte, o metrô completou 30 anos com a malha três vezes menor
do que deveria ter, pois seriam necessários cerca de 200 km de trilhos
para atender a demanda e há apenas 57,6 km.
Atraso nas obras
Mesmo com
as críticas, o governador Geraldo Alckimin, acompanhado do seu amigo
tucano que é candidato a prefeito, tentou usar a data comemorativa do
Metrô para pousar de empreendedor com a construção da Linha 4 e a
expansão da linha 2. Porém, o que ele esconde é que estas linhas já
deveriam estar funcionando, pois as obras estão atrasadas por
incompetência do governo do Estado em realizar licitações
transparentes, obrigando o Ministério Público a suspender, por
diversas vezes, o início das obras. Além disso, com a construção da
Linha 4 (Amarela), a rede passará a ter 73,3 km, o que é ainda
insuficiente para atender a demanda.
Outro fato
importante é que as obras da Linha 4 podem sofrer mais atrasos, pois
ainda não está definida a concessão da operação, prevista pelos
tucanos. Os investidores não têm demonstrado interesse na proposta.
Prática excludente
Mas com a
história oficial excluindo a luta dos metroviários na defesa do Metrô
público, estatal, com qualidade e tarifas acessíveis, resta ao governo
tucano divulgar uma história sem qualquer vínculo com a categoria no
espaço entre o passado e o presente. Essa prática excludente também
afasta qualquer perspectiva de valorização profissional no futuro, o
que talvez explique a razão pela qual o Metrô ainda não implantou o
plano de carreira para a categoria.
23 anos de luta
Embora a
classe dominante sempre faz o possível para encobrir o significado
histórico da organização dos trabalhadores, sabemos que cada página da
história do metrô se desenvolveu num período de intenso embate social
contra a ditadura militar e de grande agitação política e sindical.
Com o clima de
redemocratização do país, prosperou a reabertura dos sindicatos livres
e, como conseqüência, no dia 7 de novembro de 1980 os metroviários
foram reconhecidos como categoria profissional pelo Ministério do
Trabalho. Após fundarem a AEMESP em janeiro de 1981, a categoria
transformou a Associação em sindicato em agosto daquele ano.
Desde então, a
história das relações trabalhistas no metrô continua marcada por lutas
frequentes da categoria contra as gestões autoritárias, que visam
retirar direitos e atacar conquistas obtidas ao longo dos anos.
Hoje, a categoria
ainda luta contra a privatização do sistema, a terceirização dos
serviços, pelo o pagamento da periculosidade, contra a retirada da
hora extra programada noturna, extinção da função de OE,
descaracterização dos AS’s e AE’s, alteração de escala, o fim do CCI e
pelo pagamento do adicional risco de vida dos AE’s e CSO. Mas todos
sabem que esta luta só poderá ser desenvolvida com o envolvimento de
todos.
Porém, o que há de
importante na história fragmentada dos 30 anos do metrô, é a certeza
que a categoria deve manter a determinação de lutar em defesa os seus
direitos e conquistas, mantendo latentes seus valores de solidariedade
de classe e a proposta de uma sociedade justa e igualitária.
Parabéns
metroviários, pois a história do metrô sempre estará incompleta se não
contar a trajetória de luta da categoria.