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Nº 460 - 26/08/2004



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Editorial

Luta autônoma

A luta contra o neoliberalismo na América Latina foi fortalecida com a vitória do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, por 59,06% dos votos, contra os 40,94% para a oposição.

A vitória de Chávez foi reconhecida por governos como os dos Estados Unidos, Rússia, China, a maioria dos governos da América Latina e Europa e por quase toda a comunidade internacional. Porém, mesmo com todo o apoio que Chávez recebeu, o governo norte-americano continua apoiando a oposição.

O governo venezuelano declarou que os Estado Unidos terão que aceitar, mesmo com “má vontade”, a vitória do presidente Chávez no referendo.

Hugo Chávez tem protagonizado uma luta incansável contra o neoliberalismo e em defesa da soberania da Venezuela, país que vem de um enorme atraso na organização popular, com o espaço sindical ocupado por uma aristocracia operária vinculada às empresas petrolíferas, enquanto os grandes empresários fazem coro com as determinações políticas dos Estados Unidos, promovem golpes e detém o maior monopólio de imprensa na América Latina.

As conspirações golpistas contra Chávez, com o apoio escancarado dos EUA, revelam a profundidade e enraizamento das mudanças em curso na Venezuela. A elite que governou o país nos últimos quarenta anos foi responsável por diversos crimes, corrupção e violação dos direitos humanos, levando 80% da população a uma situação de pobreza e miséria.

Desde a chegada de Chávez ao governo, em fevereiro de 1999, os atritos entre Caracas e Washington foram permanentes. A insatisfação dos EUA com Chávez é devido a implantação de uma agenda de esquerda.

Portanto, a derrota do “sim” da oposição significou um “não” ao passado, “não” à corrupção, “não” à violência, “não” aos ataques aos direitos humanos, “não” à oligarquia, “não” ao imperialismo e “não” a George Bush.

 
 
 
 
 
 

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