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Nº 459 - 01/07/2004

 


Concurso interno da GMT

Governo Alckmin anunciou a privatização da venda de bilhetes e a implantação da bilhetagem eletrônica. O Sindicato é contra a privatização e contesta a eliminação pura e simples de profissões qualificadas, substituindo bilheteiros por máquinas, e defende que a tecnologia deve estar a serviço do conjunto da sociedade e não do capital

Em uma audiência pública, realizada em 15/06, no auditório do Instituto de Engenharia, em São Paulo, o governador Alckmin anunciou o início do pro
cesso de licitação para a escolha da empresa que vai implantar um sistema de bilhetagem eletrônica.

Com o cartão eletrônico estadual, apelidado de Metropass, o usuário passará usar o Metrô, os trens da CPTM e ônibus intermunicipais gerenciados pela EMTU.

A empresa vencedora da licitação comprará equipamentos, como catracas, validadores, maquinário para recarga de cartões, Em troca, vai operar o sistema por 20 anos, com possibilidade de prorrogação, e ficará com uma porcentagem sobre cada viagem.

O secretário de transportes Jurandir Fernandes justificou a implantação do sistema afirmando que, o Metrô e a CPTM gastam 8% de sua receita com o sistema de arrecadação, ou seja, com o custo das bilheterias, bilheteiros, fiscalização, confecção dos bilhetes e manutenção dos equipamentos.

Vencerá a concorrência a empresa ou o consórcio que apresentar proposta de remuneração menor que 6% ou 7% da arrecadação.

O percentual ainda não foi definido, mas na melhor das hipóteses apresentadas, o Estado vai economizar 1% da receita em relação ao atual sistema de arrecadação.

Porém, decifrar os enigmas do PSDB para justificar a privatização da venda de bilhetes se restringem à matemática entre custo e benefício tanto para o Metrô quanto para a empresa operadora.

Jurandir Fernandes afirmou que com a implantação do Metropass parte dos 700 bilheteiros da CPTM serão demitidos e que os 400 bilheteiros do Metrô serão mantidos, pois são contratados como agentes de estação e poderão exercer outras funções. A declaração foi recebida com estranheza pelos agente operacionais da CPTM, pois eles também exercem outras funções.

Jurandir afirmou ainda que as demissões vão ocorrer a partir do ano que vem.

As indefinições para implantação do Metropass são tantas que até o momento o governo do Estado só apresentou as noções gerais do Projeto Básico do Sistema METROPASS e sua implantação está prevista para agosto de 2005.

Para o Sindicato, a tecnologia deve estar a serviço do homem e da sociedade, sendo usada para humanizar as condições de trabalho, mas não como instrumento unilateral para implantar as políticas neoliberais do governo do PSDB no Estado.

Os metroviários que sempre defenderam o Metrô público, estatal, com qualidade e tarifas acessíveis, não vão aceitar passivamente que o Metrô, que presta um serviço essencial para a população, seja colocado a serviço de interesses privados.

Vamos decifrar os enigmas do Metropass antes que ele nos devore.

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