Última Edição:
Nº 457 - 18/07/2004

 


Opinião do diretor

A luta dos metroviários brasileiros

Wagner Fajardo Pereira*

Nos últimos dois meses os metroviários brasileiros têm dado exemplos de luta em defesa dos seus direitos e dos interesses gerais dos demais trabalhadores.

Os metroviários de São Paulo e do Rio Grande do Sul encerraram suas campanhas salariais, mas no Rio de Janeiro, Pernambuco e Belo Horizonte continuam lutando para garantir a reposição salarial e ampliar as conquistas da categoria.

Em São Paulo uma grande passeata, o uso do colete, os cafés com usuários, as setoriais e diversas mobilização garantiram o êxito das negociações com a manutenção dos direitos e conquistas, reposição salarial e abono de 20%.

No Rio Grande do Sul a luta dos metroviários garantiu a recomposição dos salários em 4,5%, e a manutenção do acordo coletivo.

No Rio de Janeiro, nas negociações com o governo estadual para os metroviários da Rio Trilhos, a empresa não apresentou nenhuma proposta econômica. Nas negociações com a Opportrans, empresa privada que administra a operação e manutenção do sistema, os metroviários só tiveram proposta de abono salarial e houve poucos avanços nas cláusulas sociais. Uma assembléia da categoria no próximo dia 24, vai deliberar sobre os rumos da campanha salarial.

A situação também está difícil em Pernambuco e em Belo Horizonte, os metroviários negociam com a CBTU, junto com 5 sindicatos de ferroviários, e mesmo depois de 8 dias de greve que conquistou avanços em algumas cláusulas sociais, o governo federal não melhorou sua proposta econômica inicial, pois alega que o Ministério do Planejamento só admite um impacto de 4,5% na folha de pagamento, desconsiderando as perdas acumuladas.

A greve foi suspensa à pedido do TST, que realizou uma audiência de conciliação na segunda-feira (14/6), e uma nova reunião está marcada para essa sexta-feira..

Representando a Federação Nacional dos Metroviários, participei da penúltima negociação no Rio Grande do Sul, na primeira negociação na CBTU e da audiência de conciliação no TST, constatando que a indignação dos trabalhadores é com a insensibilidade da equipe econômica do governo Lula, que mantém a mesma lógica do governo anterior e ignora a necessidade de recompor os salários.

Por isso, a luta que a CUT e a Coordenação dos Movimentos Sociais estão encabeçando pela mudança na política econômica do governo federal é fundamental para que os metroviários e demais trabalhadores brasileiros possam vislumbrar as mudanças pretendidas com a eleição de Lula para a presidência da República.

*Diretor de base e presidente da Federação Nacional dos Metroviários.


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