Opinião
do diretor
A luta dos
metroviários brasileiros
Wagner Fajardo Pereira*
Nos
últimos dois meses os metroviários brasileiros têm dado exemplos de
luta em defesa dos seus direitos e dos interesses gerais dos demais
trabalhadores.
Os metroviários
de São Paulo e do Rio Grande do Sul encerraram suas campanhas
salariais, mas no Rio de Janeiro, Pernambuco e Belo Horizonte
continuam lutando para garantir a reposição salarial e ampliar as
conquistas da categoria.
Em São Paulo uma
grande passeata, o uso do colete, os cafés com usuários, as setoriais
e diversas mobilização garantiram o êxito das negociações com a
manutenção dos direitos e conquistas, reposição salarial e abono de
20%.
No Rio Grande do
Sul a luta dos metroviários garantiu a recomposição dos salários em
4,5%, e a manutenção do acordo coletivo.
No Rio de
Janeiro, nas negociações com o governo estadual para os metroviários
da Rio Trilhos, a empresa não apresentou nenhuma proposta econômica.
Nas negociações com a Opportrans, empresa privada que administra a
operação e manutenção do sistema, os metroviários só tiveram proposta
de abono salarial e houve poucos avanços nas cláusulas sociais. Uma
assembléia da categoria no próximo dia 24, vai deliberar sobre os
rumos da campanha salarial.
A situação também
está difícil em Pernambuco e em Belo Horizonte, os metroviários
negociam com a CBTU, junto com 5 sindicatos de ferroviários, e mesmo
depois de 8 dias de greve que conquistou avanços em algumas cláusulas
sociais, o governo federal não melhorou sua proposta econômica
inicial, pois alega que o Ministério do Planejamento só admite um
impacto de 4,5% na folha de pagamento, desconsiderando as perdas
acumuladas.
A greve foi
suspensa à pedido do TST, que realizou uma audiência de conciliação na
segunda-feira (14/6), e uma nova reunião está marcada para essa
sexta-feira..
Representando a
Federação Nacional dos Metroviários, participei da penúltima
negociação no Rio Grande do Sul, na primeira negociação na CBTU e da
audiência de conciliação no TST, constatando que a indignação dos
trabalhadores é com a insensibilidade da equipe econômica do governo
Lula, que mantém a mesma lógica do governo anterior e ignora a
necessidade de recompor os salários.
Por isso, a luta
que a CUT e a Coordenação dos Movimentos Sociais estão encabeçando
pela mudança na política econômica do governo federal é fundamental
para que os metroviários e demais trabalhadores brasileiros possam
vislumbrar as mudanças pretendidas com a eleição de Lula para a
presidência da República.
*Diretor de base e presidente da Federação Nacional dos Metroviários.