Editorial
Canteiro das finanças
Em 1964 foi
realizada a 1a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e
Desenvolvimento (Unctad), com o objetivo de reunir representantes de
diversos países para debater soluções para o nó da principal
contradição do sistema capitalista: a crescente desigualdade nas
relações comerciais entre os países.
Porém, desde então
os Estados Unidos não cederam em nada, mantendo a arrogância
imperialista em suas estratégias para dividir os países em
desenvolvimento e patrocinar golpes de estado e guerras para fazer
prevalecer seus interesses econômicos.
Agora, de olho em
uma nova geografia comercial proposta pelo presidente Lula, na
abertura da 11a Unctad realizada em São Paulo (14/6), os
representantes dos países em desenvolvimento retomaram o conceito de
união para superar as barreiras comerciais dos países imperialistas. A
formação do fundo de combate à fome e à miséria, criado com a taxação
sobre armas e paraísos fiscais, também foi tema de debate na Unctad.
A implantação de
mecanismos de controle do capital especulativo vai contra a lógica
neoliberal, que se orienta em torno da idéia do lucro máximo em curto
prazo, e é uma estratégia para reter os recursos necessários para
assegurar o consumo de bens e serviços indispensáveis à satisfação das
necessidades básicas das populações pobres.
Mas nas propostas
apresentadas na Unctad ressalta a necessidade de estabelecer critérios
de solidariedade e de justiça social, indispensáveis para uma
convivência igualitária e justa dos povos.
Sabemos que os
países imperialistas continuaram pressionando as demais nações para
eliminarem todas as barreiras comerciais aos seus produtos, enquanto
mantém o protecionismo em seus mercados. Mas a estratégia neoliberal
só amplia a riqueza dos países ricos em detrimento da miséria, da fome
e da exploração dos recursos naturais dos países em desenvolvimento.
A obsolescência
dos princípios econômicos neoliberais exige uma alternativas
socialistas que plante as necessidades sociais no centro do canteiro
do mercado financeiro.