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Nº 455 - 04/05/2004

 

Mínimo de R$ 260 indignou os trabalhadores


Novo salário mínimo frustrou a população que considerou deplorável o índice de reajuste


Ao anunciar o novo valor do salário-mínimo, o governo causou uma frustração generalizada em todos os trabalhadores e no movimento sindical, que reagiram com revolta e justa indignação.

A decisão do governo federal de aumentar o salário-mínimo em 8,33% (apenas 1,4% acima do INPC acumulado nos últimos 12 meses), elevando o valor de R$ 240 para R$ 260, foi classificada, sem exagero, como uma vergonha nacional e mais um sinal de que a equipe econômica continua influenciando o governo a seguir o rumo de uma política financeira fracassada. Os trabalhadores não podem continuar sofrendo as conseqüências das diretrizes econômicas implantadas no governo anterior e mantidas até o momento.

O novo mínimo não é só um insulto para mais de duas dezenas de milhões de trabalhadores e trabalhadoras que dele dependem para sobreviver. É uma péssima notícia para toda a nação, na medida em que reforça a tendência à estagnação da economia brasileira e não condiz com a necessidade inadiável do país retomar o crescimento sustentado da produção, do desenvolvimento nacional com distribuição de renda e valorização do trabalho.

A valorização da força de trabalho (compreendendo o aumento real do salário-mínimo, entre outras medidas), tornou-se fundamental para a retomada do crescimento e a recuperação da economia. Sem a ampliação do emprego e da renda dos trabalhadores, achatada de forma dramática e impiedosa nos últimos anos, não teremos aumento do consumo popular e jamais veremos o fortalecimento do mercado interno. Sem um mercado interno forte, o Brasil não vai reencontrar o caminho do desenvolvimento.

A decisão sobre o aumento do salário mínimo demonstra que prevalece hoje no governo a tentativa de se conciliar uma política macroeconômica conservadora, com desenvolvimento e emprego. Essa conciliação é inviável.

Resta aos trabalhadores o caminho da mobilização para que o governo adote um outro rumo de orientação econômica, dando oportunidade para a recuperação gradativa do salário mínimo, que foi promessa de campanha. O governo Lula precisa cumprir o compromisso de dobrar o valor do salário mínimo.

 

 

 


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