Mínimo de R$ 260 indignou os trabalhadores
Novo salário mínimo frustrou a população que considerou deplorável o
índice de reajuste
Ao anunciar o novo valor do salário-mínimo, o governo causou uma frustração
generalizada em todos os trabalhadores e no movimento sindical, que
reagiram com revolta e justa indignação.
A decisão do governo federal de aumentar o salário-mínimo em 8,33%
(apenas 1,4% acima do INPC acumulado nos últimos 12 meses), elevando
o valor de R$ 240 para R$ 260, foi classificada, sem exagero, como
uma vergonha nacional e mais um sinal de que a equipe econômica continua
influenciando o governo a seguir o rumo de uma política financeira
fracassada. Os trabalhadores não podem continuar sofrendo as conseqüências
das diretrizes econômicas implantadas no governo anterior e mantidas
até o momento.
O novo mínimo não é só um insulto para mais de duas dezenas de milhões
de trabalhadores e trabalhadoras que dele dependem para sobreviver.
É uma péssima notícia para toda a nação, na medida em que reforça
a tendência à estagnação da economia brasileira e não condiz com a
necessidade inadiável do país retomar o crescimento sustentado da
produção, do desenvolvimento nacional com distribuição de renda e
valorização do trabalho.
A valorização da força de trabalho (compreendendo o aumento real do
salário-mínimo, entre outras medidas), tornou-se fundamental para
a retomada do crescimento e a recuperação da economia. Sem a ampliação
do emprego e da renda dos trabalhadores, achatada de forma dramática
e impiedosa nos últimos anos, não teremos aumento do consumo popular
e jamais veremos o fortalecimento do mercado interno. Sem um mercado
interno forte, o Brasil não vai reencontrar o caminho do desenvolvimento.
A decisão sobre o aumento do salário mínimo demonstra que prevalece
hoje no governo a tentativa de se conciliar uma política macroeconômica
conservadora, com desenvolvimento e emprego. Essa conciliação é inviável.
Resta aos trabalhadores o caminho da mobilização para que o governo
adote um outro rumo de orientação econômica, dando oportunidade para
a recuperação gradativa do salário mínimo, que foi promessa de campanha.
O governo Lula precisa cumprir o compromisso de dobrar o valor do
salário mínimo.