Última Edição:
Nº 455 - 04/05/2004

 


Editorial

Ataques à categoria

1º Nem bem iniciaram as negociações da Campanha Salarial, o Metrô já mostrou sua estratégia para tentar jogar a população contra a categoria.

No dia em que o Sindicato se reuniu pela primeira vez com a empresa para negociar as reivindicações dos metroviários, em uma reportagem do jornal O Globo o Metrô justificou o aumento dos preços dos bilhetes culpando o reajuste conquistado pela categoria. A alta acumulou 36% em 2003, enquanto o reajuste da categoria, segundo a reportagem, foi de 12% no período.

O Metrô também divulgou uma pesquisa sobre o perfil socioeconômico dos passageiros, sem critérios claros, revelando que os rendimentos médios familiar e individual dos usuários tiveram queda de 17% e 23%, respectivamente, entre 2001 e 2003. O Metrô dá o tapa na categoria e esconde a mão do governo tucano, que aplicou índices elevados nos preços dos bilhetes para não repassar os recursos públicos necessários para operação e manutenção da empresa, reduzindo a renda dos usuários e, ainda, tenta jogar a opinião pública contra categoria.

A pesquisa que o governo deve divulgar é sobre seus ataques aos direitos dos trabalhadores do setor público, que são oprimidos pela terceirização, esmagados pelas horas-extras excessivas, sugados pelo estresse, ameaçados pelo fantasma do desemprego, empobrecidos pelos salários aviltantes e vítimas constantes do assédio moral.

Recentemente, o Dieese apresentou uma pesquisa demonstrando que cerca de 58% das negociações coletivas de trabalho, realizadas em 2003, resultaram em reajustes salariais inferiores ao INPC. Os trabalhadores que negociaram com o governo do Estado tiveram parcelamentos do reajuste salarial, assim como a concessão de “abonos” não-incorporáveis aos salários.

Para enfrentar essa situação constante de ataque aos nossos direitos e de difamação pública da categoria, todos devem contribuir na mobilização em suas áreas para incentivar os companheiros a participarem das atividades da campanha salarial, provando que as nossas reivindicações são justas, sempre obtidas com mobilização intensa e, quando necessário, com paralisações ou greve.


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