Editorial
Ataques à categoria
1º Nem bem iniciaram
as negociações da Campanha Salarial, o Metrô já mostrou sua estratégia
para tentar jogar a população contra a categoria.
No dia em que
o Sindicato se reuniu pela primeira vez com a empresa para negociar
as reivindicações dos metroviários, em uma reportagem do jornal O
Globo o Metrô justificou o aumento dos preços dos bilhetes culpando
o reajuste conquistado pela categoria. A alta acumulou 36% em 2003,
enquanto o reajuste da categoria, segundo a reportagem, foi de 12%
no período.
O Metrô também
divulgou uma pesquisa sobre o perfil socioeconômico dos passageiros,
sem critérios claros, revelando que os rendimentos médios familiar
e individual dos usuários tiveram queda de 17% e 23%, respectivamente,
entre 2001 e 2003. O Metrô dá o tapa na categoria e esconde a mão
do governo tucano, que aplicou índices elevados nos preços dos bilhetes
para não repassar os recursos públicos necessários para operação e
manutenção da empresa, reduzindo a renda dos usuários e, ainda, tenta
jogar a opinião pública contra categoria.
A pesquisa que o governo deve divulgar é sobre seus ataques aos direitos
dos trabalhadores do setor público, que são oprimidos pela terceirização,
esmagados pelas horas-extras excessivas, sugados pelo estresse, ameaçados
pelo fantasma do desemprego, empobrecidos pelos salários aviltantes
e vítimas constantes do assédio moral.
Recentemente, o Dieese apresentou uma pesquisa demonstrando que cerca
de 58% das negociações coletivas de trabalho, realizadas em 2003,
resultaram em reajustes salariais inferiores ao INPC. Os trabalhadores
que negociaram com o governo do Estado tiveram parcelamentos do reajuste
salarial, assim como a concessão de “abonos” não-incorporáveis aos
salários.
Para enfrentar essa situação constante de ataque aos nossos direitos
e de difamação pública da categoria, todos devem contribuir na mobilização
em suas áreas para incentivar os companheiros a participarem das atividades
da campanha salarial, provando que as nossas reivindicações são justas,
sempre obtidas com mobilização intensa e, quando necessário, com paralisações
ou greve.